Depois de um dia cheio de aventuras em Chapada e Lavras Novas, era hora de um dia mais tranquilo para darmos uma relaxada. Para isso voltamos para a estrada e fomos conhecer Bichinho e Tiradentes. O quarto dia da nossa viagem pela Estrada Real foi mais cultural e contemplativo, onde mergulhamos de cabeça na história colonial do Brasil.

Os Blogueiros na ER foi uma ação de promoção do destino onde participamos com outros 6 blogueiros em um roteiro de 6 dias pela Estrada Real. Acompanhe tudo em nosso blog e caso tenha dúvidas é só deixar nos comentários. Vamos adorar responder cada um de vocês.

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Bichinho, uma “fofura” de cidade na Estrada Real

Sem dúvidas, a pequena cidade de Vitoriano Veloso é mais conhecido por seu simpático apelido: Bichinho. Mas historicamente Vitoriano, o mensageiro da inconfidência, foi o único negro a participar ativamente do movimento da Inconfidência Mineira. Ele era alfaiate e sua bravura como cavaleiro o fez ser lembrado até os dias de hoje.

Distrito de Prados desde 1938, Bichinho fica na região de Campos das Vertentes e reserva belas surpresas seja em um passeio de um dia ou de fim de semana. Antigas casinhas coloridas, excelentes restaurantes, pousadas charmosas e costumes do século 18 podem ser facilmente percebidos em uma simples caminhada pela cidade.

Bichinho concentra uma grande quantidade de ateliês que produzem o típico artesanato mineiro, além de muitas lojinhas e oficinas que fazem da região um grande polo de produção de arte e artesanato, perfeito para um fim de semana de compras ou apenas um bate e volta, já que Bichinho fica a menos de 10km de Tiradentes.

Pequenas igrejas coloniais ainda resistem ao tempo, da época do circuito do ouro e da escravidão. Um passeio a pé pela cidadezinha vale muito a pena.

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Como já estava próximo da hora do almoço aproveitamos para comer no Restaurante Tempero da Ângela, que é famosa por ter o melhor da comida mineira caseira em um ambiente agradável e arejado, servida no fogão à lenha.

Torresmo, feijão tropeiro, lombo e pernil assados, tutu à mineira, frango com quiabo, frango ao molho pardo, costelinha com canjiquinha, além de saladas diversas com verduras frescas produzidas em horta própria, dentre outros pratos deliciosos. Isso sem falar nas sobremesas: queijo minas com goiabada, cocadas e o típico doce de leite. Tudo isso no melhor esquema self-service.

Oficina de Agosto leva a arte de Bichinho para o Mundo

No caminho de ida para Tiradentes ainda paramos na Oficina de Agosto, um ateliê criado pelos irmãos e parceiros Antônio Carlos Bech, o Toti, e Sonia Bech Vitaliano, onde trabalham juntos na ideia de recuperar o artesanato brasileiro e torná-lo um meio de subsistência das pessoas.

Em Bichinho, a Oficina de Agosto desenvolveu um grupo de moradores locais que trabalhavam na agricultura e pecuária a tornarem-se artesãos. Ele os ensinou a criar objetos de arte, trabalhando técnicas próprias para resultar em obras com a identidade de cada um deles.

Pensando na responsabilidade social, a Oficina de Agosto transformou a vida de dezenas de moradores incentivando-os a trabalhar com a arte. E o que vimos lá foi apenas um pouco de tudo que já criaram.

Toti e Sonia colecionam aparições em revistas e jornais de decoração. Todo o seu trabalho vem do lixo e isso não é escondido. Objetos de luxo que decoram as casa de diversos artistas vieram de entulhos descartados, demolições e sobras sem uso. As peças variam os valores e como todos nós sabemos, arte não tem preço!

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Paixão a primeira visita no Centro Histórico de Tiradentes

Chegamos a Tiradentes ainda de dia e com uma ótima luz para fotos. Então não perdemos tempo, estacionamos o carro e fomos bater perna pelo centro histórico da cidade. Localizada aos pés da Serra de São José, Tiradentes é uma cidade pequena no tamanho e gigante na cultura. Seu acervo turístico é de dar inveja a qualquer outro lugar.

O Centro Histórico de Tiradentes me fez lembrar bastante de Paraty, com suas casinhas e casarões históricos bem preservados. Aquele clima gostoso, bucólico, o chão de pedras pés-de-moleque e difíceis de andar, bons restaurantes, uma enorme diversidade de bares, opções de pousadas para todos os bolsos e gostos, e toda a infraestrutura necessária ao turista.

Deu tempo de conhecer bastante coisa até, passamos pelo Largo das Forras onde é possível contratar passeios de charrete (o que eu não recomendo) e pelos diversos ateliês espalhados pelas ruas Direita e da Câmara, mas a Igreja Matriz de Santo Antônio foi o que mais me impressionou. De lá é possível ver quase toda a cidade cercada pela Serra de São José, além do belíssimo relógio de sol e a cruz vermelha bem na frente.

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Duas coisas não me agradaram. Não gostei nada de ver o estado dos cavalos exaustos “trabalhando” sem parar puxando as charretes coloridas e de super-heróis. Sinceramente, foi o que mais me chocou na cidade. E em segundo lugar, o esgoto que corre a céu aberto bem no centro histórico.

O roteiro turístico de Tiradentes é facilmente percorrido a pé, no seu tempo, parando para ver as lojas, deixando o tempo passar e curtindo com calma. As ladeiras não são íngremes como as de Ouro Preto. Entre uma esquina e outra pare para tomar um café e conversar com os moradores locais. Verá que seu passeio se tornará muito mais interessante.

Pra fechar bem a noite ainda fomos surpreendidos com a apresentação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais que estava passando uma temporada por lá, tocando dentro da belíssima Igreja Matriz de Santo Antônio. Uma pena não poder fotografar lá dentro. Foi incrível.

É pra se apaixonar ou não por Tiradentes? Que cidade gostosa. Gostaria de ter tido mais tempo para “me perder” por lá e entrar de rua em rua descobrindo cada cantinho. Vejam algumas fotos.

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Onde comer e onde ficar em Tiradentes

Nosso jantar foi no Restaurante Empório Santo Antônio e a comida estava maravilhosa. Mesmo chegando tarde, ainda fomos super bem atendidos. O chef que também é proprietário da casa caprichou nos pratos mineiros que foram servidos. Tudo muito farto, principalmente a seleção de doces.

Só então fomos para descansar. Ficamos hospedados na Pousada Pequena Tiradentes, onde o charme e a tranquilidade de Tiradentes moram. Construída em estilo colonial, oferece um clima de paz, similar a um condomínio fechado e inspiração suficiente para uma ótima noite de sono. A pousada possui piscina coberta pré-aquecida, jacuzzi com sauna e serviço de bar.

A Pousada Pequena Tiradentes é uma pousada boutique e está repleta de antiguidades esculpidas a mão que você pode comprar e levar para casa. Os quartos possuem decoração clássica e elegante em tons pastéis e lençóis de algodão egípcio, além de móveis de época, TV LCD e um frigobar. A ducha quente e forte era um convite a um banho demorado para relaxar.

O buffet de café da manhã é digno de uma pousada boutique do nível da Pousada Pequena Tiradentes, com diversidade de pães, croissants, pratos quentes, frios, frutas, ovos do jeito que você gosta, cereais e geleias.

A Pousada Pequena Tiradentes fica a apenas 2 km do centro histórico de Tiradentes. Ela possui Wi-Fi grátis e funcionou bem tanto nas áreas comuns quanto nos quartos.

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Como vocês viram, esse foi mais um dia cheio, porém bem mais tranquilo do que o anterior. Conseguimos ver bastante coisa em Bichinho e Tiradentes, mas é certo que não vimos tudo. Tiradentes tem um enorme potencial turístico com diversas atrações, principalmente de ecoturismo e culturais. Certamente a minha vontade de voltar já é enorme!

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Roteiro de 6 dias pela Estrada Real

1º Dia na Estrada Real – De BH para Brumal e Santuário do Caraça
2º Dia na Estrada Real – Ouro Preto e Mariana: Igrejas, Teatro de Bonecos e Mina da Passagem
3º Dia na Estrada Real – Trilha entre Chapada e Lavras Novas e passeio de Quadriciclo
4º Dia na Estrada Real – Artesanato de Bichinho e o Centro Histórico de Tiradentes
5º Dia na Estrada Real – Off-Road, Trilhas e Cachoeiras em Carrancas
6º Dia na Estrada Real – Passeio de Maria Fumaça de São João del-Rei a Tiradentes

* Maurício Oliveira viajou a convite do Instituto Estrada Real para promover o destino através da ação #BlogueirosnaER. Vejam também os blogs que participaram dessa viagem: Dentro do Mochilão, Pé na Estrada, Territórios, Trilhas e Aventuras, Segredos de Viagem, Viagens Cinematográficas e Viajando com Eles. A Bancorbrás Turismo apoiou este projeto.

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3 Comentário

  1. Estive em Tiradentes, e de fato é muito chocante ver as pessoas empoleiradas nas charretes coloridas sem se importar com a escravidão a que os cavalos são submetidos, assim como os pôneis e os cavalos de montaria que são oferecidos para aluguel! Parece que a alegria da ostentação de alguma forma bloqueia a sensibilidade do ser humano! Para que escravizar outras espécies? Se os turistas parassem de usar este tipo de serviço tão indigno para os animais, certamente este tipo de exploração acabaria!

    • Oi Maristela, em alguns casos inclusive os animais morreriam. Já conversamos com alguns condutores de charretes e, para alguns, aquela é sua única fonte de renda onde é capaz de alimentar sua família e cuidar do animal. É uma situação bem complicada e te entendo completamente, pois tb não gosto desse tipo de atração. Como tirar a única forma de sustento de algumas famílias? Tb não sei dizer. 🙁

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